domingo, 12 de abril de 2020

Fica em Casa 6 - Feliz Páscoa


Fica em Casa 6
Félix Páscoa
Meu desejo era mandar um post engraçado individualmente para cada um dos meus amigos (xs, as), com a ideia divertida de estarmos ao lado de quem amamos, mas estamos nesse momento em isolamento para salvar vidas. O presente de hoje é ficar em casa; de pijama furado, descabelada (o) ou de trajes de trabalho; estarmos juntos com nosso companheiro (a), ao lado de quem amamos e rezar para o bem estar dos que amamos e estão longe. O presente de hoje é se descobrir versátil, afinal não é tão simples criar um cardápio diário, para não enjoar do arroz e feijão.  Meu post para o dia de hoje, seria de coelhinhos fofinhos ou da realidade do sentido da Páscoa. Confesso, nem lembrava que era Domingo, muito menos que é Domingo de Páscoa, não por “desreligião”, mas por confinamento mesmo. Assim meus queridos amigos, de pijama furado ou de smoking, o importante é ficarmos em casa, curtir e fazer todas as receitas do livro de culinária da família. Pois hoje temos o verdadeiro significado dessa data tão especial, FICAR EM CASA, pois somente assim poderemos renascer e compartilhar a Páscoa e nossa amizade PESSOALMENTE em 2021
Márcia Schlapp

Fica em Casa 5 – A feira x A sogra!


Fica em Casa 5 – A feira x A sogra!

Nesses dias de extrema atenção para nossa proteção e do próximo, a Feira Livre na cidade de Cachoeira/BA é uma verdadeira roleta Russa e reflete sem sombra de dúvidas o descaso das pessoas que insistem em “tourear” o Coronavírus, se bem que o acúmulo de pessoas era bem menor em 11/04/20, porém a grande maioria, estavam totalmente desprotegidas, afinal, diz o baiano que não pega vírus, são “porretas”, e nesse “furdúncio”, acompanhei novamente minha sogra nas compras da semana.
Minha sogra, toda estilosa, toquinha, sapatinho rosinha, máscara descartável e mãozinhas na cintura. Preciso comprar Quiabo, pedi auxílio para ela, confesso que não tenho ideia da melhor técnica para escolher um bom quiabo! Minha sogra, opa! Sabe e como sabe! Olha, aqui têm uns grandes e bonitos! Ela se aproxima com desdém, olha para o quiabo, dá uma boa olhada para o vendedor e diz; “Tá bom não, tá muito caro, muito caro! O vendedor retruca; “ É seis “real”! Ela o olha e responde; “Tá bom não, tá com cara de amargar, muito feio esse seu quiabo e caro viu moço! Caminhamos pelas intermináveis barracas, todas coloridas de flores e frutas, nesse vai e volta, olha aqui e acolá e nada. Quando nos aproximamos de um vendedor de aipim (também conhecido como mandioca e macaxeira), olha e diz; “Rapaz, que aipin feio viu!” Assim, na lata, o indivíduo não consegue nem responder, fica lá olhando com cara de interrogação. Quando enfim, encontra um vendedor das antigas, disse logo; Esse sim é um aipim porreta, baiano e porreta, pode levar. Quanto é meu querido? Nem lembro quanto foi. Mas o quiabo, esse sim, afinal ela encontrou uma simpática vendedora, legumes bonitos, firmes e para saber se o quiabo é bom, têm que quebrar estalando a pontinha. Minha sogra ao contrário da tradição; “Quebre não, estraga mais rápido, tô vendo pela sua cara que é “dubom”! Quanto é? A resposta: “Sete reais, pra senhora, seis!
Márcia Schlapp

Fica em casa 4 – Asma x Hipocondria (07/04/2020) - A ironia da tranquilidade


Fica em casa 4 – Asma x Hipocondria (07/04/2020) - A ironia da tranquilidade

Ficar em casa pode parecer uma ótima oportunidade de relaxar, rever nossa casa de um ângulo mais tranquilo, receber amigos... ops! Não, nada disso, estamos de reclusão, quarentena, que já virou “oitotentena”! O que parecia ser um momento de reflexão se transformou em inúmeros momentos atabalhoados, um corre-corre que não imaginava. Na verdade, havia feito toda minha programação. Terminar ou pelo menos adiantar bem minha dissertação, fazer umas costuras, colocar fotos em ordem, arrumar o guarda roupa entre outras coisinhas. Contudo, não é bem assim que funciona na realidade! Refeições, higienização redobrada da casa, lavar mais roupas, fazer mais comida, criar cardápios para não ficarmos entediados apenas com arroz e feijão. Então, tudo mudou, até os nossos cães adoeceram e também estou criando novo cardápio para eles. Despertava por volta das cinco hora da manhã, estudava até nove ou dez horas, seguia para a preparação do almoço, arrumar a casa, ou lavar a roupa, costura, só aos finais de semana e mesmo assim esporádico.  Tudo tranquilo. Ah! Os cães com ração.
A realidade atual é bem outra. Não consigo me levantar tão cedo, a primeira ação do dia é fazer a alimentação dos cães, tudo com carinho, legumes escolhidos a dedo, carne bem cortadinha, arroz integral. Antes de terminar, arrumar a mesa para o café, titia gosta e eu também. Terminou o café, pensar no cardápio, escrever, não dá mais, a correria na casa começou. Preparar o almoço, costurar, escrever, ler, pensar, criar! Aff, tudo isso me levou ao colapso. Isso sem contar na preocupação com meu filho, que ficou ilhado em  Amargosa. Será que está se alimentando, está bem? Enfim. A vida segue.
Pirulito, num vai e vem inacreditável, conversa comigo na altura suficiente para quem mora em Cachoeira poder compartilhar de nosso diálogo! Não, não são discussões, apenas conversas de casal.
Passei mal ontem, uma asma chata que estava evoluindo e uma dor pelo corpo, me senti muito mal. E, assim começou o tratamento com os comprimidos, para dormir e acabar com a Asma. O Celastamine, esse remédio me joga na cama como se eu fosse um bofe atirado na parede. Levantar no dia seguinte, isso sim é uma luta hercúlea, a ação medicamentosa foi eficiente, o resultado é deprimente! Tanto dormir, que o torcicolo me atirou na cama também e: outro comprimido, no final da tarde, mais um. Sem contar a Vitamina C efervescente e Própolis. A casa, a costura o almoço os cães, não esperam. Mesmo assim tenho a sorte de ter um companheiro que me auxilia em quase tudo. Compartilha as tarefas e tenta fazer meu dia ser mais tranquilo. A vida segue. A quarentena que por agora vivemos, nos toca o coração e escolho um amigo para falar um pouco mais. Cada dia uma nova proposta para viver melhor em tempos de pandemia.

Márcia Schlapp

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Fica em Casa 3 - Meia horinha na casa de Titia Lourdes.


Fica em Casa 3 – Meia horinha na casa de Titia Lourdes. 06/04/2020

Estamos de quarentena. Sim, trancadinhos há 20 dias. A tia Lourdes encontra-se com 83 aninhos, forte apesar de umas e outras coisinhas que a idade lhe presenteou. Nossa casa fica distante, onze metros da residência de titia, mesmo assim, achamos melhor ela ficar aqui em nossa casa, durante o processo dessa Pandemia do Coronavírus. Foi quase a mudança do Garcia!
Hoje foi a vez de ela passar pela zona de proteção; seu sobrinho, meu companheiro Eraldo, Eraldinho ou como todos o conhecem; Pirulito.  Aproveitamos o dia nublado e tranquilo e saímos para molhar as plantinhas na casa de titia. Ela nos acompanhou. “Titia, troque o chinelo, não pode sair de casa com esse!” Ficamos fora não mais que meia hora. Voltamos. Não precisamos mais tirar a roupa na garagem, só o álcool 70, pulverizado em nós e nas roupas e nos objetos que vieram da casa dela. Ele, ao entrar com a tia Lourdes: “Olhe, vá direto tomar banho, troque a roupa, coloque em um saco plástico, deixe esse chinelo aqui fora, não ande pela casa com essa roupa.” E, titia; “O quê”! Só me faltava essa! Não vou para tomar banho não! Ele logo foi esclarecendo sobre os perigos e dos cuidados necessários para todos. Ela, vendo que não tinha outra saída, foi para o chuveiro, prometendo usar a mesma roupa! Pirulito a seguiu e, do lado de fora do banheiro continuou a falar sobre a proteção, e que um bom banho e sabão matam o vírus. Titia Lourdes, ao sair do quarto: banho tomado, roupa limpa, usando os chinelos de dentro de casa. Arrematou sobre a situação que vivenciou; “Olha Eraldinho, você está doido”! Assim também já é demais! A resposta não poderia ter sido outra: “Prefiro exagerar que assistir minha família morrer por conta da falta de cuidados”!
Márcia Schlapp