Estou, sufocada, angustiada por liberdade.
Existem momentos que meus sentimentos esquecem que o corpo já não é mais juvenil, se apaixona pelo impossível. Fica ardente de desejo pelo imaginário.
Onde ou quando começou, sei bem, foi lá, no primeiro dia que vi, voz baixa, olhar profundo, mãos delicadas, sorriso maroto. Foi ali, naquele instante que me deparei com o desejo de ser livre novamente. Tive vontade de desfrutar cada experiência, cada história, cada toque, mãos suaves.
O tempo passou, o desejo esfriou, passou por mim feito um doce perfume. Gentil e rude. Retomei a admiração. Continuei admirando, continuei.
Minhas paixões nascem da observação intelectual, nunca da estrutura física. Saber falar, saber expor com paixão algo que lhe toca a alma, me encanta.
Agora, perto de seres assim, apenas observo, admiro e, fico devagando no infinito da minha solidão. Tudo impossível, tudo intocável. São curtas palavras, uma troca de olhar, nada mais.
Recentemente, ousei em deixar uma fresta da minha solidão cair em descuido, sei que fui descoberta. Me sinto uma idiota. Tanta juventude, tantos perfeitos, cheio de caminhos, não posso crer que ousei em flertar!!
No entanto, a suavidade do olhar, deixa-me em choque, falo coisas desconexas, ouço coisas desconexas.
Arrisquei, confesso, não sei o que falar para a sabedoria, nem onde e como quero desfrutá-la!
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